28 de out. de 2010

La puta madre murió el K y todavía llora un pueblo!

Posso chorar como “cabecita negra”?
Por Raul Fitipaldi.
Morreu Kirchner. O Povo avança sobre Praça de Maio, as mulheres velhas carregam bandeias argentinas, os jovens choram, o povo saúda à Cristina, esse povo meu que amo com paixão está na rua sem restrições. Os vejo nesta tela por onde lhe escrevo y choro marés, não pelo presidente, nem pela Cristina, choro porque lá está minha gente chorando e eu sinto necessidade de abraçá-la e chorar com ela.
Nesse Universo de Mitos que é Argentina, brilha um novo mito, o Cidadão K está no céu com Evita, com El Che, com El Negro Olmedo, com Gardel, com Monzón, com o deus dos argentinos que é laico como la puta madre e crente como Juan XXIII.
E me dá na mesma se o cara era populista, se era sério ou um vendedor de garrafas vazias, ele era o Presidente que chegou depois que o Povo Pobre, que o Cabecita Negra deu um chute na bunda da política que vinha da ditadura. Esse Povo que se meteu no Congresso e depois invadiu a Praça das Mâes da Resistência e de Maio também, e deu o sangue, deu a vida por liberar a Pátria do menemismo, como o deram Dario Santillán, Harodo Conti, Roberto Walsh, vidas que eram a vida de todos e todas. El Néstor era o Presidente do Povo que andou quilômetros e segue andando, que entrou por Rivadavia e não parou até limpar a Praça onde a Nação se sonha.
- E... que me cutuca que pense como socialista, hein, se estou sentindo como pobre, como analfabeto, como trabalhador, como desempregado, como mina com 10 filhos sem marido, como prostituta sem clientes para encher a panela em casa, como estudante sem grana para comprar um mísero livro, como peronista também, se quiser, e não sou, nunca fui, não serei, mas se é passaporte para andar na rua com minha gente, po’deixar que assino a ficha!
- Que me rumina que elabore como burguês esquerdoso, como classe média pensante, não posso, sou grilo de favela, cresci com o vapor da chuva molhando o colchão, sem porta nem janela, nasci como esse cara que vejo agora, chorando esfarrapado e gritando Viva Néstor, Viva Cristina, Viva Evita!
- Entende meu! Lhe escrevo para que saiba que aqui tem um Cabecita Negra e que nem morando neste paraíso Desterro, onde vou me reparir cinza, me tiram a natureza de pobre, ferrado, fedido. Sou eu meu amigo quem vai pela Avenida de Maio com a bandeira na mão, de porre pela dor, com a esperança na ponta da língua porque Evita, El Che, Olmedo, Gardel e todos os outros, el Néstor incluído, são imortais, pela simples razão de que quando um Povo quer pode tudo, e os argentinos (os emprestados também) queremos que nossos mortos, que são santos, anjos e guerrilheiros assim sejam. Amém.




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Matheus Acosta

http://www.eiv.libertar.org/ Estágio Interdisciplinar de Vivências

26 de out. de 2010

Estudantes Ucranianos contra taxas

Repassando..
Eduardo Perondi

Em 12 de outubro, cerca de 20.000 estudantes ucranianos saíram às ruas para protestar contra a decisão do governo de permitir às universidades públicas de introduzir novas taxas. Os protestos foram realizados em quinze cidades, do Oeste ao Leste do país. As maiores manifestações se deram em Kiev, Lviv, Carcóvia, Uzhhorod e Simferopol. Rivne, Ivano-Frankivsk, Zhitomir, Kamyanets-Podolsk, Sumy, Khmelnitsky, Kirovograd, Lugansk, Lutsk e Sevastopol também protestaram.

Os organizadores dos protestos foram o sindicato estudantil independente “Ação Direta” (“Priama Diya” em ucraniano) e a “Fundação de Iniciativas Regionais”. O “Ação Direta”, um sindicato de esquerda que luta pela educação libertária, tem estado ativo na defesa dos direitos e interesses estudantis contra a pressão das administrações universitárias, reformas neoliberais e serviços especiais do Estado.

Há um ano, o “Ação Direta” foi essencial na organização dos protestos quando o passado governo de Timoshenko tentou aprovar um decreto similar referente a taxas adicionais para estudantes. Então, manifestações estudantis massivas preveniram a adoção do controverso decreto. Agora, no final de agosto, o novo governo de Azarov aprovou o Decreto 796 que permite à administração das universidades instalar taxas para aulas perdidas; taxas para o uso das livrarias, postos de primeiros-socorros, ginásios de esporte e internet; para dissertações etc. As autoridades estão a ponto de aumentar as taxas para moradia e reduzir o número de estudantes bolsistas, embora a Constituição Ucraniana garanta formalmente uma educação superior gratuita.

Contrariamente às acusações da extrema-direta ucraniana de que algumas pessoas no governo são anti-ucranianas, os ativistas estudantis independentes enfatizam que o problema não está nas personalidades mas no sistema em si. Eles vêem a introdução de novas taxas como parte da ofensiva do capitalismo neoliberal contra os direitos sociais das pessoas, em particular a juventude. Eles estão fazendo chamados para resistir a tais medidas e querem estender sua luta.

Em Kiev, 2.000 estudantes participaram na marcha em direção aos prédios do Conselho de Ministros e da Administração da Presidência exigindo uma educação gratuita para todos. Entre seus lemas estavam: “Liberdade, Igualdade, Solidariedade Estudantil!”, “O conhecimento não está à venda!”, “As universidades não são mercados!”, “Abaixo os ministros, abaixo os capitalistas!”, “Uma solução – Revolução!” “Rebelde, amor, não desista de seus direitos”. Podia-se ler nas faixas: “Solidariedade Estudantil”, “Abaixo as barreiras sociais!”, “Não entre em pânico! Junte-se a nós!”, “Lembre-se de 1968”, “Não está à venda”, e em estilo orwelliano “Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão, Ignorância é Força... Conhecimento é Mercadoria?”. Próximo à residência governamental, os ativistas manifestaram suas exigências de cancelar todo o decreto, não somente suas posições mais ofensivas. Eles também leram a saudação de solidariedade do famoso autor ucraniano Serhiy Zhadan, e destacaram a solidariedade internacional do “Global Wave of Action for Education" e o apoio do "International Student Movement". Uma grande quantidade do jornal “Ação Direta” e folhetos invocando a luta e a auto-organização estudantil foram distribuídos.

A manifestação em Lviv foi talvez a maior. Reuniu, segundo várias estimativas, de 5.000 a 7.000 pessoas. Unidos sob o lema “educação gratuita”, os estudantes de Lviv marcharam em direção ao prédio da administração regional, local onde realizaram o piquete. O prédio foi atacado por pessoas desconhecidas que lançaram bombas de fumaça, tomates e ovos. No entanto, no final o encontro terminou pacificamente.

Em Transcarpátia, na cidade de Uzhhorod, o protesto organizado pela “Fundação de Iniciativas Regionais” contou com 600 ou até mesmo 1000 jovens, um número enorme para a menor dos 24 centros regionais da Ucrânia. Sem dúvida esta foi a maior manifestação que esta cidade presenciou nos últimos anos.

Simferopol, a capital da Criméia, foi a primeira cidade a protestar contra o controverso decreto do governo, já que a administração da universidade local foi a primeira a introduzir “serviços pagos” deste decreto (mais ainda, propôs inclusive algumas “invenções” próprias como por exemplo as taxas para refazer os exames). No dia 4 de outubro, 500 jovens convocados por marxistas radicais e anarquistas marcharam pela cidade para manifestar sua rejeição à comercialização da educação. Eles se reuniram apesar da ameaça feita pela direção da universidade de reprimir os ativistas estudantis. Uma semana depois, o resto da Ucrânia se juntou aos estudantes de Criméia, e estes saíram às ruas para uma nova manifestação, dessa vez um “flash mob”, para confirmar suas exigências.

Em Carcóvia, segunda maior cidade ucraniana, mais de 300 estudantes universitários protestaram contra as novas taxas impostas. Apesar do tempo frio, algumas estudantes tiraram suas roupas para mostrar que o aumento no custo da educação universitária deixará os estudantes de baixa renda incapazes de continuarem seus estudos, forçando-os a “vender sua própria roupa”. Uma performance parecida foi realizada em Rivne.

Enfrentando a raiva dos estudantes, o presidente Yanukovich anunciou que o decreto do governo será suspenso. No entanto, foi revelado que isto é uma mentira para acalmar os estudantes revolucionários. A campanha contra a comercialização da educação não acabou. A luta continua!





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MarianaVieira
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25 de out. de 2010

Brasil, EUA e a sanidade

Olá a todos,

Achei que poderia ser de interesse comum ...
Ygor Ricardo Saraiva de Aragão

Brasil, EUA e a sanidade (BBC Brasil, 25 de outubro de 2010)

Brasileiros e americanos irão às urnas nas próximas semanas. Três dias depois de o Brasil escolher um novo presidente da República, os Estados Unidos terão seu Congresso renovado e novos governadores eleitos. Os chefes das duas nações estão preocupados. Luiz Inácio Lula da Silva, que a esta altura do campeonato acreditava já poder estar opinando sobre o ministério de Dilma Rousseff, sabe que existe uma real possibilidade de ter de devolver a faixa presidencial ao PSDB. Barack Obama também pode receber o troco dos seus adversários, caso perca o comando das duas casas do Congresso para os republicanos, após apenas dois anos na Casa Branca.

Mas as semelhanças entre as duas eleições não se restringem aos desafios dos dois presidentes. Manifestações políticas vistas recentemente parecem dar razão ao humorista Jon Stewart, que convocou para o próximo dia 30, em Washington, a Passeata para Restaurar a Sanidade. O alvo do sarcasmo de Stewart é o radicalismo de posições políticas que misturam preceitos morais, religião e preconceito e prejudicam aquilo que se espera da função pública: bom senso. O movimento conservador Tea Party tem sido destaque nas campanhas americanas, catapultando candidatos com pouca ou nenhuma experiência política. O conservadorismo do movimento vai muito além das posições de George W. Bush. A candidata republicana ao Senado em Delaware, Christine O'Donnell (foto acima), é conhecida por anos atrás ter combatido a masturbação. Ela também já disse em entrevistas que os Estados Unidos gastam excessivamente em prevenção e tratamento da Aids e que seu país tem hoje u ma economia "socialista".

O'Donnell não tem, aparentemente, chances de vencer o democrata Chris Coons na disputa em Delaware. Mas, em Nova York, outra criação política do Tea Party, o empresário Carl Paladino, ainda pode conseguir o posto de governador do Estado. Já apresentado aqui na BBC Brasil por Lucas Mendes como um político no mínimo polêmico, Paladino teve de se desculpar recentemente por ter criticado a Parada Gay novaiorquina e o homossexualismo, que, pare ele, "não é uma opção igualmente válida ou bem-sucedida", em comparação com a formação de uma família tradicional. Talvez indicativo do sucesso de Paladino em parte do eleitorado, o jornal britânico The Observerinformou no domingo que têm crescido os ataques a gays em Nova York, incluindo o recente sequestro e tortura de um homossexual.

O Brasil é, como os Estados Unidos, um país jovem e de muita diversidade. Também é, como a superpotência do norte, um país em que a religião tem papel importante na condução da vida de cada indivíduo e na organização social de suas comunidades. Meses atrás, a campanha presidencial de 2010 parecia ser marcada por certa calmaria, diante de um país em um ótimo momento econômico e com os dois principais candidatos oriundos do movimento de centro-esquerda pela democracia e contra o autoritarismo. As indicações, porém, de que argumentos morais e de natureza religiosa poderiam garantir votos extras, caso fossem trazidos para o debate eleitoral, deram outra cara à campanha. O aborto passou a ser discutido a partir de crenças pessoais, em vez de ser analisado como uma questão de saúde pública ou mesmo sob o ponto de visto do custo financeiro (a morte de milhares de jovens mulheres tem um preço econômico alto para o país). Se a realidade nacional atual lev a cidadãs brasileiras à morte, há um problema que a socieade precisa resolver, de forma racional e equilibrada. O problema concreto, entretanto, é deixado de lado para dar lugar a discussões subjetivas, como a própria crença pessoal de um político. A comunhão ou não de um candidato acaba tendo quase o mesmo peso das suas propostas para a ensino médio (o que, diga-se de passagem, ainda não foi detalhado por nenhuma campanha).

Quem investirá mais em saúde, Dilma Rousseff ou José Serra? Os dois pretendem ou não reduzir os gastos públicos a partir de 2011? Nas disputas americanas, o que defendem os candidatos ao Senado para melhorar as relações econômicas com a China? O que acham que deveria ser feito para reduzir a violência na fronteira com o México? No Brasil e nos Estados Unidos, perguntas importantes estão ficando sem respostas, enquanto crenças religiosas e discussões sobre estilos de vida tomam o tempo dos eleitores. Diante dos caminhos do debate político, é compreensível que um comediante esteja se mobilizando em favor da volta da sanidade.



Fonte:http://www.bbc.co.uk/blogs/portuguese/