O desafio de construir ciências sociais autônomas no Sul
Com a presença de pesquisadores dos 5 continentes, encontro sobre dependência acadêmica realizado na Argentina, representa um passo adiante na luta por desenvolver um pensamento crítico não somente na América Latina mas, pode-se dizer, numa dimensão mundial. A presença de estadunidenses e europeus só enriqueceu o debate, apesar de uma parte deles ainda apegar-se a uma pretensa universalidade das Ciências Sociais produzidas no centro do Sistema Mundial. O artigo é de Theotonio dos Santos.
Theotonio dos Santos
Entre os dias 3 e 6 de novembro realizou-se em Mendoza, Argentina, a II Oficina sobre Dependencia Académica, dirigida por Fernanda Beigel, diretora do PIDAL, Programa de Investigaciones sobre Dependencia Académica en América Latina que funciona na Facultad de Ciencias Políticas y Sociales da Universidad Nacional de Cuyo, com apoio do CONICET e do Programa Sul-Sul do CLACSO.
Com a presença de pesquisadores dos 5 continentes, este encontro representa um passo adiante na luta por desenvolver um pensamento crítico não somente na América Latina mas, pode-se dizer, numa dimensão mundial. A presença de estadunidenses e europeus só enriqueceu o debate, apesar de uma parte deles ainda apegar-se a uma pretensa universalidade das Ciências Sociais produzidas no centro do Sistema Mundial. Mas foi muito emocionante assistir por exemplo a participação por vídeo-conferencia do professor Syed Farias Alatas , da Universidade de Singapura, regatando o papel tão especial da teoria da dependência na superação de uma ciência social criada a serviço de um projeto e uma prática colonialista e imperialista. Ele buscou inclusive destacar os antecedentes asiáticos desta empreitada teórica e empírica que seu famoso pai e outros importantes pensadores filipinos ya haviam iniciado desde o pós guerra. Não foi demasiado ousado, haver chamado a Conferência Pública em que participaram além de Syed Alatas, Enrique Oteiza e eu com a moderação da própria Fernanda Beigel: A tradição dependentista latinoamericana e o desenvolvimento de um circuito acadêmico periférico.
De fato, além da ampla dimensão regional é interessante apontar a amplitude temática que abordou esta oficina de trabalho. Figuras de grande peso como Hebe Vessuri, do Instituto de Investigaciones Científicas da Venezuela, Sujata Pael, da University of Hyderabad, Índia, Hernan Sabea da American University of Cairo, Egito, e vários outros discutiram os problemas epistemológicos e teóricos articulados com a especificidade de cada região do sul; a construção de carreiras acadêmicas e a profissionalização no Sul; a importancia dos modelos de desenvolvimento; as alternativas diante da dependencia académica como as pequenas publicações e as agendas de pesquisa não eurocéntricas; a autonomia institucional, a dependencia financeira e o desenvolvimento do campo científico-universitário; a dependencia e a internacionalização das Ciencias Sociais; os desafios epistemológicos e políticos da ciência periférica; a construção de carreiras acadêmicas desde espaços periféricos: desigualdades de acesso à educação superior, mobilidade académica intra-regional e internacional.; a divisão intrnacional do trabalho científico e o intercambio desigual do conhecimento.
Por esta agenda de debates os leitores podem avaliar a importância de todo um campo temático construido sistematicamente a partir destes seminários que desenvolvem e aprofundam uma problemática muito querida do pensamento crítico latinoamericano.
Creio que Enrique Oteiza, o artífice do Conselho Latino Americano de Ciencias Sociais (CLACSO) dirigido na atualidade por Emir Sader, sintetizou muito bem o espírito desta reunião quando me fez um comentário emocionado:” me sinto feliz de constatar como aquele espírito de debate de nossos tempos está de volta”. E com um forte e estimulante núcleo energético no qual predominam mulheres acadêmicas de ponta e jovens cientistas de todo o planeta com fortes traços étnicos não europeu. É uma resposta contundente aos que dizem que a teoria da dependencia está morta. Havia que perguntar: ONDE?
O LIVRO DO PRIMEIRO ENCONTRO:
AUTONOMIA E DEPENDENCIA ACADÉMICA:
Universidad e Investigación Científica en un Circuito Periférico: Chile y Argentina (1950-1980).
Fernanda Beigel dirigiu este livro editado por Editorial Biblos (Investigaciones y Ensayos) que foi lançado durante a II Oficina apresentada acima. Este livro vai desde uma Introdução da diretora sobre “Reflexões no uso do conceito de campo e sobre a “elasticidade” da autonomia em cirduitos acadêmicos periféricos” até um conjunto de estudos de história do conhecimento que analisa com detalhe e profundidade a emergência teórica e analítica do Cono Sul (primeiro de 1950-a 1973), para estudar numa segunda parte os dependentistas e a dependencia acadêmica, para, finalmente numa terceira parte, debruçar-se sobre o perído de ascenso do pensamento único neoliberal montado nas baionetas golpistas (tema que tratei muito criticamente no meu livro: Do Terror à Esperança - Auge e Decadência do Neoliberalismo, Idéias e Letras, aparecida, S.P.)sob o título A contração da Autonomia: Las Dictaduras y los Exílios (1973-1990).
Apesar de sua concentração nos casos da Argentina e do Chile, este livro contribui para a história das ciências sociais não só na América Latina como em todo o mundo, particularmente neste universo cultural que se designa como o SUL.
fonte: CArta Maior ,15 de novembro
Internacional| 14/11/2010 | Copyleft
15 de nov. de 2010
12 de nov. de 2010
Escola do MST tem a melhor nota do ENEM em Santa Catarina
Divulgando...
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Escola do MST tem a melhor nota do ENEM em Santa Catarina
Na Escola Semente da Conquista , localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. A escola é dirigida por militantes do MST e professores indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1418 famílias, morando em 23 assentamentos.
A escola foi destaque no Exame Nacional do Ensino médio (Enem) de 2009, divulgado na pagina oficial do Enem. Ocupou a primeira posição no município, com uma nota de 505,69. Para muitos, esses dados não são mais do que um conjunto de números que indicam certo resultado, mas para nós, que vivemos neste espaço social, é uma grande conquista.
No entanto, essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação.
A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e do êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são Mais de 100 filhos de assentados estudam na Escola para uma pequena elite. Espaços culturais são direitos universais, mas que são realidade para poucos.
E mesmo com todas as dificuldades a Escola Semente da Conquista foi destaque entre as escolas do Município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim de uma proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado.
fonte : Diario da Classe Intersindical
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Matheus Acosta
Com a barriga vazia não consigo dormir
E com o buxo mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
[Chico Science]
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Escola do MST tem a melhor nota do ENEM em Santa Catarina
Na Escola Semente da Conquista , localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. A escola é dirigida por militantes do MST e professores indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1418 famílias, morando em 23 assentamentos.
A escola foi destaque no Exame Nacional do Ensino médio (Enem) de 2009, divulgado na pagina oficial do Enem. Ocupou a primeira posição no município, com uma nota de 505,69. Para muitos, esses dados não são mais do que um conjunto de números que indicam certo resultado, mas para nós, que vivemos neste espaço social, é uma grande conquista.
No entanto, essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação.
A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e do êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são Mais de 100 filhos de assentados estudam na Escola para uma pequena elite. Espaços culturais são direitos universais, mas que são realidade para poucos.
E mesmo com todas as dificuldades a Escola Semente da Conquista foi destaque entre as escolas do Município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim de uma proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado.
fonte : Diario da Classe Intersindical
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Matheus Acosta
Com a barriga vazia não consigo dormir
E com o buxo mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
[Chico Science]
8 de nov. de 2010
Assembléia dos estudantes de Ciências Sociais
Assembléia dos estudantes de Ciências Sociais
Data - 11/11 (quinta-feira) Horário - 17:00
Local - Sala 333
Pauta:
- Aprovação do regimento para a eleição da próxima gestão do Calcs
- Aprovação do calendário eleitoral
- Eleição dos membros da comissão eleitoral
Data - 11/11 (quinta-feira) Horário - 17:00
Local - Sala 333
Pauta:
- Aprovação do regimento para a eleição da próxima gestão do Calcs
- Aprovação do calendário eleitoral
- Eleição dos membros da comissão eleitoral
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