17 de ago. de 2010

[Textos] [Noam Chomsky] A guerra no Afeganistão: ecos do Vietnã

A guerra no Afeganistão: ecos do Vietnã
Os fuzileiros estão enfrentando um problema que sempre espreitou os conquistadores, e que é muito familiar para os Estados Unidos, desde o Vietnã. Em 1969, Douglas Pike, o mais importante acadêmico governamental nos assuntos do Vietnã lamentou que o inimigo – a Frente de Libertação Nacional (FLN) – era o único partido político verdadeiramente baseado nas massas no Vietnã do Sul”. Qualquer esforço para competir politicamente com esse inimigo seria como um conflito entre uma sardinha e uma baleia, reconheceu Pike. O artigo é de Noam Chomsky.
O War Logs (bússolas da guerra), um arquivo de documentos militares confidenciais que abarcam seis anos da guerra do Afeganistão, publicados na internet pela organização Wikileaks relatam uma luta inflamada e cada dia mais encarniçada, na perspectiva dos Estados Unidos. E, para todos os afegãos, um horror crescente.

Os War Logs, por mais valiosos que sejam, podem contribuir para a doutrina prevalente de que as guerras são algo mau só se não são exitosas – algo assim como o que os nazis sentiram depois de Stalingrado.

No mês passado ocorreu o fiasco do general Stanley A. McChrystal, obrigado a se retirar do comando das forças dos Estados Unidos no Afeganistão e substituído por seu superior, o general David H. Petraeus. Uma provável consequência é um relaxamento das normas de combate, de forma que se torne mais fácil matar civis, e uma prolongamento da guerra à medida que Petraeus use sua influência para conseguir este resultado no Congresso.

O Afeganistão é a principal guerra em curso do presidente Obama. A meta oficial é nos proteger da AlQaeda, uma organização virtual, sem base específica – uma rede de redes e uma resistência sem líderes, como foi chamada na literatura profissional. Agora, ainda mais do que antes, a AlQaeda consiste em facções relativamente independentes, associadas frouxamente ao redor do mundo.

A CIA calcula que entre 50 e 100 ativistas da AlQaeda talvez estejam no Afeganistão, e nada indica que os talibãs desejem repetir o erro de dar refúgio a AlQaeda. Por outro lado, o talibã parece estar bem estabelecido em seu vasto e árduo território, uma grande parte dos territórios pashtun.

Em fevereiro, no primeiro exercício da nova estratégia de Obama, os fuzileiros estadunidenses conquistaram Marja, um distrito menor na província de Helmand, principal centro da insurgência.

Uma vez ali, informa Richard A. Oppel Jr., do The New York Times, “os fuzileiros se chocaram com uma identidade talibã tão dominante que o movimento se assemelha mais a uma organização política numa região de um só partido, com uma influência que abarca a todos...”.

“Temos que reavaliar nossa definição da palavra 'inimigo', disse o general de brigada Larry Nicholson, comandante da brigada expedicionária de fuzileiros na província Helmand. A maioria das pessoas aqui identifica a si mesmas como talibã... Temos que reajustar nossa forma de pensar, de forma que não pareça que estamos expulsando os talibãs de Marja, mas que estejamos tratando de expulsar o inimigo.

Os fuzileiros estão enfrentando um problema que sempre espreitou os conquistadores, e que é muito familiar para os Estados Unidos, desde o Vietnã. Em 1969, Douglas Pike, o mais importante acadêmico governamental nos assuntos do Vietnã lamentou que o inimigo – a Frente de Libertação Nacional (FLN) – era o único partido político verdadeiramente baseado nas massas no Vietnã do Sul”.

Qualquer esforço para competir politicamente com esse inimigo seria como um conflito entre uma sardinha e uma baleia, reconheceu Pike. Em consequência, devíamos superar a força política do FLN recorrendo a nossa vantagem comparativa, a violência – com resultados horrendos.

Outros enfrentaram problemas similares: os russos, por exemplo, no Afeganistão, durante os anos 80, quando ganharam todas as batalhas mas perderam a guerra.

Escrevendo a respeito de outra invasão estadunidense – a das Filipinas em 1989 -, Bruce Cumings, historiador especialista em Ásia na Universidade de Chicago fez uma observação hoje aplicável ao Afeganistão: “quando um fuzileiro vê que sua rota é desastrosa, muda de curso, mas os exércitos imperiais afundam suas botas em areias movediças e seguem marchando, ainda que seja em círculos, enquanto os políticos enfeitam o livro de frases dos ideais estadunidenses”.

Depois do triunfo de Marja, esperava-se que as forças lideradas pelos Estados Unidos atacariam a importante cidade de Kandahar, onde, segundo uma pesquisa do exército estadunidense, a operação militar é rechaçada por 95% da população e onde 5 em cada 6 consideram os talibãs como nossos irmãos afegãos – mais uma vez, ecos de conquistas prévias. Os planos sobre Kandahar foram postergados, e isso foi parte dos antecedentes para a saída de McChrystal.

Dadas essas circunstâncias não é de se estranhar que as autoridades dos Estados Unidos estejam preocupadas com que o apoio popular à guerra no Afeganistão seja ainda mais erodido. Em maio passado a Wikileaks publicou um memorando da CIA acerca de como manter o apoio da Europa à guerra: o subtítulo do memorando era: porque contar com a apatia talvez não seja suficiente.

O perfil discreto da missão no Afeganistão permitiu aos líderes franceses e alemães desprezarem a oposição popular e aumentarem gradualmente suas contribuições às tropas da Força de Assistência à Segurança Nacional (ISAF), assinala o memorando. Berlim e Paris mantêm o terceiro e quarto níveis mais altos de tropas na ISAF, em que pese a oposição de 80% dos pesquisados alemães e franceses a maiores envios de forças. É necessário, em consequência, dissimular as mensagens para impedir ou ao menos conter uma reação negativa.

O memorando da CIA deve nos fazer recordar que os Estados têm um inimigo interno: sua própria população, que deve ser controlada quando a política do Estado tem oposição no povo. As sociedades democráticas dependem não da força, mas da propaganda, manipulando o consenso mediante uma ilusão necessária e uma super-simplificação emocionalmente poderosa, para citar o filósofo favorito de Obama, Reinhold Niebuhr.

A batalha para controlar o inimigo interno, então, segue sendo altamente pertinente – de fato, o futuro da guerra no Afeganistão pode depender dela.
Tradução: Katarina Peixoto

16 de ago. de 2010

[CSO] 1° Seminário de Sociologia da Saúde e Ecologia Humana + Monitoria Ecoss

Em setembro acontece na UFSC o 1° Seminário de Sociologia da Saúde e Ecologia Humana.
Para maiores informações acesse o site: www.1ecoss.com.br
Grata,
Barbara Michele Amorim.

Olá pessoal,
Estão abertas as inscrições para monitoria do Seminário de Sociologia da Saúde e Ecologia Humana, que acontecerá nos dia 14,15 e 16 de setembro de 2010.
Os benefícios são:
*Isenção da Matricula do Seminário
*Certificado
*Ajuda de custo de 7,00 por dia para alimentaçâo
 Interessados deverão entrar em contato com o email de rochele deminski ou comparecer no núcleo Ecoss no departamento de Sociologia Política e deixar seus dados.
Rochele Deminski.

14 de ago. de 2010

[ENECS] Deliberações da Plenária Final do XXV ENECS-2010-Belém-PA

 Deliberações da Plenária Final do XXV ENECS-2010-Belém-PA
1. GD Expressões culturais no movimento estudantil

Inclusão de cultura popular nos eventos culturais organizado pelos estudantes nas Universidades;
Campanha contra a restrição de meia-entrada e direito a passe-livre irrestrito e ilimitado para eventos culturais, garantido pelo Estado
Semana de cultura popular nas Ciências Sociais;
Necessidade de debates referente a cultura popular;
Proposta rádio-livre, com a possibilidade de oficina para o próximo ENECS;
Lutar por verbas para realização de atividades culturais nas universidades;
Cine clube e debate sobre a democratização dos meios de comunicação;
Realização de festival Universitário de música, cultura e arte;
Trocar projetos que estão sendo desenvolvidos nas escolas;
Café filosófico;
Atividades culturais, semanalmente;
Orientação de Mesa-debate ou GD para o próximo ENECS sobre o tema expressões culturais no movimento estudantil.
Contra a restrição do acesso da comunidade nos espaços da universidade, e pelo livre acesso nas atividades culturais;
Apoio a políticas públicas de incentivo à cultura e de democratização do acesso a bens culturais;
Projeto de ressociabilização e extensão as comunidades, construindo conjuntamente com as mesmas;
Entendendo a necessidade de ocupar os espaços públicos das universidades, nós, estudantes de Ciências Sociais reunidos repudiamos projetos que restringem o livre acesso ao campus e defendemos a ocupação da universidade pela comunidade e os movimentos sociais;
Envia para lista do CONECS modelo de projetos e oficinas para concorrer em editais públicos.
Criação de uma lista nacional de discussão e um grupo de trabalho para formatação de projetos para concorrer a editais públicos;
Mesa sobre cultura popular para o próximo ENECS;

2. GD O cientista social e seu currículo


Participação dos estudantes nas comissões de mudança curricular
Criação de um GTP para o tema: responsável UFS
Lutar pela implementação de um currículo que aproxime mais a universidade da sociedade e da classe trabalhadora
Integração dos currículos do bacharelado e da licenciatura
Maior atenção dos currículos à pesquisa quantitativa
Garantia que as Faculdades ofereçam cursos gratuitos de aperfeiçoamento da produção escrita em língua estrangeira instrumental à todos os estudantes interessados
Contra a fragmentação e pela emancipação das Ciências Sociais
Os currículos precisam de uma linha de orientação que respeite as particularidades regionais
Maior participação estudantil no âmbito dos conselhos ou colegiados para a disputa da formação do cientista social e seu currículo
Criação de uma base curricular nacional, porem com maior flexibilidade curricular para melhor formação
As escolas devem socializar as grades curriculares em vigor nos cursos, socializar também quando houve a última reforma curricular e se houve participação dos estudantes e as formas de execução a ser discutidas: deve se enviada para escola responsável pelo GTP de currículo

3. GD Empresas Juniores de Ciências Sociais

Campanha de estagio, PIBID, lutas reais pela iniciação cientifica e PIBEX
Aprovação de uma frente nacional em apoio a extensão. A frente lançará uma carta a ser assinada por C.A.’s e D.A.’s que optarem por construir-la. Entre os dias 20 e 24 de Setembro a frente construirá uma Semana Nacional em apoio a extensão popular, organizada via reuniões virtuais abertas e lista CONECS
Inclusão das reinvidicações a respeito da iniciação científica (PET, PIBEX, etc ), na Semana Nacional de Lutas
Grupo de Trabalho Permanente sobre pesquisa e extensão nas ciências sociais, tendo também como responsabilidade fazer um levantamento dos estatutos das empresas juniores para ser apresentado no ENECS : responsável UFMA
Retornar as escolas e aprofundar estudos sobre o conceito de Empresa Junior para em outro momento tenhamos mais acumulo, para termos discussões mais sólidas sobre o assunto em outros espaços
Retorno as escolas para debate sobre o caráter das empresas juniores
Contra o caráter mercadológico das Empresas Juniores, por uma expansão da pesquisa para além desse caráter.
Propor nas calouradas os debates sobre as Empresas Juniores e a que serviço está a educação nacional

4. GD Sociologia no Ensino Médio

Semana nacional de luta em defesa da sociologia no ensino médio
Fazer um histórico da sociologia no ensino médio nos estados brasileiros a partir da contribuição das regionais e dos CA’s
Pela formulação de mecanismos legislativos que garantam a exclusividade ao profissional licenciado em Ciências Sociais a prerrogativa de lecionar Sociologia no Ensino médio, de forma que os profissionais que atualmente o fazem não sejam expulsos, mas transferidos para sua função de origem compatível com sua formação
Formulação de um Grupo de Trabalho Permanente para diagnosticar a situação da sociologia no ensino médio em cada estado: responsável UFAL
Que cada estado promova atividades em defesa da sociologia no ensino médio
Entrega de uma carta aberta as autoridades competentes depois de uma jornada ou semana de mobilização
Estabelecer contatos com outras áreas que fazem parte da licenciatura, para o aprimoramento do ensino médio.
Ampliação de projetos de iniciação a docência como o PIBID para que aproxime o futuro professor de seu objeto, visando melhorar tanto a educação básica quanto a formação acadêmica.

5. GD Combate às Opressões

Ato público de combate ao racismo, homofobia e machismo
Contra a segmentação da luta pelo combate às opressões
Afirmação dos grupos oprimidos a partir dos CA’s e movimentos de base
Discussão de núcleos de estudos afro-brasileiros e de gênero, e construção de coletivos de ciências sociais
Proposta de manifesto contra a criminalização dos movimentos sociais
Os Centros Acadêmicos façam o debate de opressões na base
Manter o GD de combate às opressões no ENECS
Que as universidades ratifiquem a reserva de vagas
Por mais assistência estudantil com a reserva de vagas
Criação de um GTP que pesquisará, formulará e apresentará no próximo ENECS uma cartilha de combate as opressões, tendo os seguintes pontos como conteúdo: responsável UFPA
Como se dá a criminalização dos movimentos sociais e da pobreza
Garantia de acesso e permanência na universidade
Combate ao machismo e sexismo
Garantia dos direitos reprodutivos
Combate à homofobia
Combate ao racismo
Pela discussão sobre legalização das drogas como um tema de saúde pública, e não de segurança pública;
Luta pela sociabilidade nos espaços da sociedade
Formação e organização das minorias, diálogos entre grupos mobilizados e os cientistas sociais
Criação de Centros de Apoio Jurídicos Contra discriminação
Atenção aos cartazes de festa estudantil com cunho opressor
Falar de opressão é trazer a torna a realidade vivenciada pelas religiões que utilizam o chá, ayahuasca como elemento transcendental, sacro.
O art. 5 da Constituição Federal garante a laicidade do Estado, a pluralidade das manifestações religiosas.
Não à opressão instaurada na sociedade e senso comum sobre essa temática.
6. GD Conjuntura e Políticas Educacionais

Volta do ato público no próximo ENECS
Construção de uma carta avaliativa sobre as políticas educacionais
Dialogo permanente com o GTP do ANDES
Contra o Prouni, Reuni, ENEM e o vestibular, entendendo que privilegiam práticas de não inclusão e interesses contrários aos estudantes e o interesse público. Propomos uma reavaliação das políticas públicas e o rateamento dos custos de forma a evitar o mal uso das verbas públicas para educação

GD’s sobre movimento estudantil de Ciências Sociais

Indicativo para o próximo ENECS: Grupo de Discussão sobre o dialogo entre o ME e a sociedade e se encaminhado pelo CONECS
Grupo de Trabalho Permanente para resgate da memória do MECS. Responsável UFPB
Garantia dos pré-encontros nas escolas para ampliar o debate sobre a temática do encontro
Manutenção do CONECS
Debater no CONECS a executiva de ciências sociais
Impasses e conquistas entre cidade e campoÊxodo urbano: nova organização sócio-política na área rural. Tópicos a abordar: Funcionamento das comunidades não convencionais no campo; Transformação de seus estilos de vida; exposição sobre as eventuais vivências e projetos dessas comunidades com os Movimentos Sociais; contribuições de concepções espirituais dessas comunidades ao diálogo científico; produção acadêmica na linha de pesquisa em Ecologia dentro das Ciências Sociais
Todas as escolas realizem avaliação dos cursos pela base e apresente no próximo ENECS
Que os GTP's tenham representantes indicados pelas escolas
Luta por democracia nas faculdades de ciências sociais por voto universal
Espaço específico no próximo ENECS de informes e balanços do ENECS e CONECS antes de se inicia o Grupos de Debates
Que se debata problemas regionais com mais profundidade nos ENECS
Campanha nacional pela qualidade de ensino
Que no próximo ENECS tenha um espaço para apresentação da situação das regionais
Encaminhamento de uma mesa-debate sobre a formatação da Executiva de Ciências Sociais


Encaminhamentos Finais:
Foi deliberado por consenso que o XXVI Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais (que será realizado em 2011) ocorrerá em Minas Gerais e será organizado pela UFMG e PUC-MG.

Foi deliberado também por consenso que II Conselho Nacional de Estudantes de Ciências Sociais, que será realizado em 2011, ocorrerá no Rio de Janeiro e será organizado pela UERJ.

Aqui termina os trabalhos da Comissão Organizadora do XXV ENECS.