2 de nov. de 2010

TRANS DAY NIGS 2010 - RODA DE CONVERSA: Transexualidades e a Patologização das Identidades

Vinicius Kauê Ferreira
O Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades convida para as atividades do TRANS DAY NIGS 2010, que está compondo o conjunto de ações no mundo todo contra a patologização das transexualidades e travestilidades.

Além da exposição de faixas e fotos que terá sua abertura no próximo dia 03 de novembro (quarta-feira), no Hall do CFH, convidamos para uma roda de conversa sobre o tema, destinado a quem quer conhecer mais sobre o tema e compartilhar experiências:


RODA DE CONVERSA:

Transexualidades e a Patologização das Identidades


Com pesquisador@s e participantes dos movimentos trans

03 de novembro (terça-feira)
18h30min
sala 302 do CFH



“TRANS DAY NIGS 2010”

A transexualidade se caracteriza pela não concordância entre o sexo biológico (homem/mulher) e o gênero (masculino/feminino) através do qual a pessoa deseja ser reconhecida. Em 1987 ela foi incluída nos catálogos de doenças mentais como um “Transtorno de Identidade de Gênero”. As repercussões da medicalização e patologização da transexualidade se refletem diretamente na vida das pessoas transexuais, seja por torná-las “doentes” que precisam de um tratamento sobre o qual não detém nenhum poder ou controle, tendo de se submeter às decisões dos profissionais de saúde, seja por não permitir aos sujeitos viverem sua identidade de gênero como bem lhes convir ou, ainda, por não terem o reconhecimento social, tornando-os vítimas de preconceitos e estigmas, ou reconhecimento legal da sua condição, principalmente no que se refere à dificuldade de adotar oficialmente o seu nome social, condizente com sua identidade de gênero.

A Stop Trans Pathologization - 2012 é uma campanha internacional pela despatologização das identidades trans (transexuais e transgêneros) e pela sua retirada dos catálogos de doenças, o DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), da American Psychiatric Association, cuja versão revista surgirá em 2012, e o CID (Classificação Internacional de Doenças), da Organização Mundial da Saúde (OMS), que será revisto em 2014.

Assumida até o momento por mais de cem organizações e quatro redes internacionais na África, na Ásia, na Europa e na América do Norte e do Sul, a campanha coordena uma mobilização internacional simultânea em mais de trinta cidades de dezessete países europeus e no continente americano. O mês de outubro foi escolhido como o mês que marca a luta contra a medicalização e patologização das identidades trans ao redor do mundo. O Núcleo de Identidades e Subjetividades – NIGS - se une a essa campanha, na perspectiva de que as pesquisas acadêmicas devem propiciar reflexões que produzam transformações sociais. Neste sentido, nós, @s pesquisador@s do NIGS promovemos este manifesto visual até o dia 03 de novembro e convidamos todas e todos para uma roda de conversa sobre o tema, que acontecerá no dia 03 de novembro, das 18h30min às 21h, na sala 302 do CFH.

31 de out. de 2010

Tom Zé na UFSC

Saca-rolhas gigantes, leques e torneiras são algumas das personagens de uma modalidade de teatro ainda pouco explorada no Brasil, o Teatro de Objetos, que vai ter um evento inteiramente dedicado a ela. O Festival Internacional de Teatro de Objetos (FITO) acontece entre os dias 12 e 15 de novembro, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Criado em 2009, o FITO já teve edições em Porto Alegre, Belo Horizonte e Manaus e em sua primeira vez em Santa Catarina, numa realização do Serviço Social da Indústria (SESI-SC/ FIESC), irá promover 76 apresentações com 13 companhias do Brasil, Argentina, Israel, Itália, França e Espanha.

Para receber o público será montada uma estrutura cenográfica especial, teatros climatizados, minissalas de espetáculos e cenografia interativa, totalizando uma área de 2.300 m². O ambiente terá quatro salas para espetáculos nacionais e internacionais, sendo três delas com capacidade para receber até 200 pessoas e uma quarta com capacidade para 50 espectadores. O festival funcionará das 16h às 22h nos quatro dias de evento.

Além das apresentações, oficinas e feira de objetos, um dos grandes destaques do FITO será o músico Tom Zé que apresenta o espetáculo 'Música/ Contramúsica' no sábado, 13 de novembro, às 21:30h.
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Matheus Acosta

Com a barriga vazia não consigo dormir
E com o buxo mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
[Chico Science]

29 de out. de 2010

Romeu Tuma: A morte de mais um torturador impune

A morte de mais um torturador impune - http://www.brasildefato.com.br/node/4507

qua, 2010-10-27Ex-presos políticos lembram o triste e criminoso legado deixado pelo ex-delegado do Dops

27/10/2010
Patrícia Benvenuti
da Redação

A morte do senador Romeu Tuma (PTB-SP), no dia 26 de outubro, trouxe à tona manifestações de pesar de vários políticos, que lamentaram a perda. Para organizações de direitos humanos, no entanto, ele passa para a história como mais um torturador da ditadura civil-militar (1964-1985) que ficou impune no Brasil.

Tuma faleceu aos 79 anos no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP), depois de 56 dias de internação. De acordo com nota divulgada pela instituição, a morte se deu em "decorrência de falência de múltiplos órgãos".

Mesmo doente, ele concorreu à reeleição no dia 3 de outubro, quando obteve 3,97 milhões de votos, ficando em quinto lugar na lista de senadores. Seu lugar será ocupado por Alfredo Cotait (DEM-SP), seu primeiro suplente, atual secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo.

Carreira
A vida política de Tuma começou em 1994, quando foi eleito senador pelo Partido Liberal (PL). Em 2000, foi candidato à Prefeitura de São Paulo, quando terminou em quarto lugar. Nas eleições de 2002, foi eleito para um novo mandato de senador, com vigência até 2011.

Sua atuação mais destacada, no entanto, ocorreu como policial, carreira que iniciou aos 20 anos de idade, quando se tornou investigador por concurso público. Em 1967, passou a ser delegado de polícia, depois de se graduar em direito. Nesse período, alcançou o posto de diretor de Polícia Especializada, na Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

A partir de 1969, começou a trabalhar com o delegado Sérgio Paranhos Fleury – considerado um dos maiores torturadores do regime civil-militar – no Serviço de Inteligência do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops), que passou a dirigir em 1975. Apesar do cargo que ocupou, Tuma afirmava desconhecer a existência de práticas de tortura na unidade. Da mesma forma, garantia ignorar detalhes sobre desaparecimentos e assassinatos.

Repressão
A “inocência” de Tuma, no entanto, é rebatida por ex-presos políticos, que recordam bem de sua atuação enquanto diretor do Dops. O integrante do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, Ivan Seixas, lembra que a sala ocupada por Tuma no prédio do Dops se localizava um andar acima de onde ocorriam os interrogatórios e as torturas. “Não tinha isolamento acústico. Nós [presos] ouvíamos as torturas durante noite e dia”.

Só esse detalhe, segundo Seixas, seria suficiente para provar o conhecimento de Tuma sobre a situação. No entanto, ele lembra que existe uma série de documentos que comprovam a participação de Tuma na orientação dos interrogatórios. “[Tuma] Não era um funcionário qualquer, era o orientador. E ele também era frequentador assíduo do DOI-Codi [Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna], que era outro centro de tortura”.

O escritor e jornalista Alipio Freire, também ex-preso político, reitera o envolvimento de Tuma nas torturas. “O Dops foi o centro da repressão até a criação da Oban [Operação Bandeirante]. Ele sabia de sobra o que aconteceu no Brasil”, afirma.

Fraude
Já a integrante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Suzana Lisboa, acusa Tuma de omitir informações sobre crimes cometidos durante sua gestão no Dops.

Como exemplo, a militante utiliza o caso de seu marido, Luiz Eurico Tejera Lisboa. Preso em 1972, ele constou na lista de desaparecidos até 1979, quando seu corpo foi encontrado no cemitério de Perus, em São Paulo, sob o nome falso de Nelson Bueno.

O inquérito sobre sua morte, que “apareceu” depois da descoberta do seu corpo e com o falso nome, indicava que Luiz Eurico teria cometido suicídio em uma pensão do bairro da Liberdade, no centro de São Paulo. O inquérito, entretanto, apresentava uma série de falhas, o que possibilitou a reabertura do caso.

Questionado por um juiz, que solicitou ao Dops informações sobre Lisboa, Tuma afirmou que não havia registros em nome de Nelson Bueno. Em 1991, porém, quando Suzana teve acesso aos arquivos do Dops, ela encontrou uma lista de 1978, endereçada a Tuma, onde constava o nome de Luiz Eurico e a informação de que havia morrido em setembro de 1972. “Tuma mentiu sobre meu marido, dizendo que não tinha informações sobre ele”.

Para Suzana, ao não responder por seus crimes, Tuma leva consigo segredos e informações valiosas sobre mortos e desaparecidos. “Ele fazia de conta que não teve envolvimento [com a ditadura]. Ele conseguiu ficar impune e leva, com ele, um pedaço da nossa história e dados sobre nossos desaparecidos políticos”.

Polícia Federal
Em março de 1983, com a extinção do Dops, Tuma assumiu o cargo de superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, para onde levou os arquivos do órgão que comandava. O objetivo, segundo Suzana, era “evitar que a esquerda ou que nós [familiares e organizações de direitos humanos] tivéssemos acesso”.

Mais tarde, Tuma passou a ser acusado, com mais força, de alterar os arquivos do Dops e omitir uma série de documentos importantes para a elucidação de crimes. As fraudes teriam ocorrido quando o ex-presidente Fernando Collor de Mello se propôs a entregar, ao governo de São Paulo, os arquivos do Dops.

Dom Paulo Evaristo Arns, na época, afirmou ter recebido denúncias de que os arquivos estariam sendo esvaziados, o que motivou uma vigília de vítimas da repressão e familiares em frente à sede da Polícia Federal, na capital paulista.

Segundo Suzana, não há como calcular a extensão do material retirado, mas arquivos inteiros referentes a “colaboradores” e à “Guerrilha do Araguaia” estavam vazios. Mesmo assim, reitera a militante, sobraram documentos que provam a participação do Tuma nos crimes.

Crítica
Apesar de seu histórico, o ex-delegado e senador cultivava boas relações com o governo federal e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1980, quando Lula e outros sindicalistas estavam presos no Dops depois de uma intervenção federal no Sindicato dos Metalúrgicos, Tuma liberou o atual mandatário para ir ao velório e enterro de sua mãe, Eurídice Ferreira Mello, dona Lindu. Na época, Lula chegou a afirmar que recebia um bom tratamento na prisão.

Sobre a morte de Tuma, Lula afirmou, em nota, que o senador merece o reconhecimento dos brasileiros, pois “dedicou grande parte da vida à causa pública, atuando de forma coerente com a visão que tinha do mundo”.

Para Suzana, é inaceitável a postura de Lula em relação a Tuma. “Lamento que o presidente Lula o defenda. Acho que é uma relação que não deveria ficar, em memória de milhares de presos”.

Freire, da mesma forma, critica o trânsito de Tuma junto ao governo. “Ele se tornou uma pessoa 'inocente' depois [da ditadura]. É lamentável que ele tenha se tornado uma figura de circulação mais do que permitida, mas, também, querida, por um governo democrático”.


Operação Bandeirante: Centro de informações, investigações e de torturas montado pelo Exército em 1969, a fim de coordenar e integrar as ações dos órgãos de combate aos grupos armados de esquerda que lutavam contra o regime civil-militar no Brasil.



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Sabrina.