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7 de abr. de 2010

[Vídeos] DOC Brasil: Ciclo de documentários Ecos da Ditadura

DOC Brasil: Ciclo de documentários Ecos da Ditadura

Ciclo de documentários “Ecos da Ditadura”
QUANDO: quarta, quinta e sexta-feira, dias 7, 8 e 9 de abril, sempre às 19 horas.
ONDE: Fundação Cultural Badesc. Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis,
QUANTO: Entrada franca.

dia 07 de abril - quarta-feira - 19 horas

Vala Comum (dir: João Godoy, São Paulo, 1994, 32 min.)
A história da repressão vivida no país após o golpe militar de 1964, tendo como ponto de partida a localização de uma vala clandestina com mais de mil ossadas em Perus (SP). Um passado mantido oculto emerge para exumar uma parte da história recente do país.

Brazil: A Report on Torture (dir: Saul Landau e Haskell Wexler,
Estados Unidos, 1971, 60 min.)

Documentário rodado no Chile, traz depoimentos de exilados brasileiros sobreviventes de práticas de tortura cometidas durante a ditadura militar no Brasil. Tratam-se de alguns dos prisioneiros libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, seqüestrado em 1970 por revolucionários brasileiros. A ação sanguinária dos agentes do Estado é narrada e exemplificada de maneira direta e contundente pelos próprios
torturados.

dia 08 de abril - quinta-feira

15 filhos (dir: Marta Nehring e Maria Oliveira, São Paulo, 1996, 20 min.)
Os horrores cometidos durante a ditadura militar narrados por filhos dos presos políticos, que contam traumas nunca superados. Entre os relatos, alguns fatos são comuns: a incerteza quanto ao nome verdadeiro dos pais, o mundo dividido entre o bem e o mal, o período em que passaram presos e a impossibilidade de compartilhar os acontecimentos com os demais membros da família.

Memória para uso diário (dir: Beth Formaggini, Rio de Janeiro, 2007, 80 min.)

Ivanilda busca evidências que provem que seu marido, desaparecido desde 1975, foi preso pelo governo brasileiro. Romildo procura pelo corpo de seu irmão num cemitério do subúrbio carioca. Mães choram por seus filhos, assassinados pela polícia nas favelas. Elas pertencem ao grupo "Tortura Nunca Mais" que, interagindo entre a lembrança traumática e o esquecimento, trazem à tona a memória de fatos recentes. Pensam o passado para que possam libertar o futuro dos fantasmas que ainda os perseguem no presente.

dia 09 - sexta-feira

Hércules 56 (dir: Silvio Da-Rin, Rio de Janeiro, 2006, 94 min.)
Em setembro de 1969, quando o Brasil era governado por uma Junta Militar, duas organizações revolucionárias aliaram-se para raptar o embaixador dos EUA, Charles Burke Elbrick, e exigiram a libertação de quinze presos políticos, que foram levados ao México pelo avião Hércules 56 da FAB. Para rememorar o episódio e discutir as causas e conseqüências da luta armada naquela época, o filme traz à cena os nove remanescentes do grupo de presos e promove o reencontro de cinco membros das organizações responsáveis pelo seqüestro.

Em anexo, a programação completa.

25 de mar. de 2010

[Textos] Dom Romero, Mártir

DOM ROMERO, MÁRTIR
"Tenho sido freqüentemente ameaçado de morte.
Devo dizer a eles que, como cristão, não creio na morte sem ressurreição: se me matarem, ressuscitarei no povo salvadorenho".
(Dom Óscar A. Romero)

Neste mês de março de 2010 a Igreja da América Latina celebra os trinta anos do martírio de Dom Oscar Romero († 1980), Arcebispo de El Salvador, assassinado pela repressão de extrema-direita que oprimia a nação após um execrável golpe de estado. El Salvador tinha um governo ditatorial, que foi derrubado por outro golpe de extrema-direita, realizado por uma "junta governativa", composta por militares e civis, e apoiada pelos Estados Unidos. Como a opressão e a injustiça aumentaram, o Arcebispo Romero se insurgiu contra esse estado de coisas, que esmagava o povo, composto em sua maioria de pobres, índios e pequenos lavradores.

Enquanto padre, Oscar Romero era um burocrata, homem mais de sacristias e bibliotecas do que de uma atuação pastoral propriamente dita. Tanto que, por conta de seu perfil tímido e pouco combativo é que foi designado pelo Vaticano para ser bispo, porque o que menos as cortes romanas queriam naquele momento era a ascensão de alguém que postulasse a causa dos pobres e dos oprimidos, pois a Igreja da América Latina era, em sua maioria, naquela década, aderente à Teologia da Libertação.

Apesar de ameaças, perseguições e boicotes, o bispo tornava suas palavras, em homilias, pregações e discursos, cada vez mais candentes, dirigidas e corajosas, denunciando tudo o que era feito no país, como uma violação aos direitos do povo e à ética nacional. Dom Oscar Romero revestiu-se de uma coragem profética que faltou à maioria dos bispos da América, inclusive no Brasil, também dominado pelo tacão de uma ditadura militar, onde se destacou o destemor de Dom Helder, Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Pedro Casaldáliga, Dom José Maria Pires e poucos outros que tiveram coragem de dizer que aquilo (prisões, cassações, expurgos, tortura e mortes) era um crime, contrário ao projeto de Deus.
Um grupo de bispos latinoamericanos, em março de 1980, na cerimônia dos funerais de dom Romero, assinou um documento que dizia: "Três coisas admiramos e agradecemos no episcopado de dom Oscar Romero: foi, em primeiro lugar, anunciador da fé e mestre da verdade [...]. Foi, em segundo lugar, um resoluto defensor da justiça [...]. Em terceiro lugar, foi o amigo, o irmão, o defensor dos pobres e oprimidos, dos camponeses, dos operários, dos que vivem nos bairros marginalizados".

Em 12 de maio de 1994 a Arquidiocese de San Salvador pediu permissão ao Vaticano para iniciar o processo de canonização de Dom Oscar Romero. O processo diocesano foi concluído em 1995 e enviado à Congregação para a Causa dos Santos em 1997, no Vaticano, que em 2000 o transferiu à Congregação para a Doutrina da Fé (então dirigida pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI) para que analisasse os escritos e homilias de Dom Oscar Romero. Terminado a análise, em 2005, o postulador da causa de canonização, Dom Vicenzo Paglia, informou aos meios de comunicação as conclusões do estudo: "Romero não era um bispo revolucionário, mas um homem da Igreja, do Evangelho e dos pobres". O processo seguirá novos trâmites burocráticos, que poderão elevar oficialmente Oscar Arnulfo Romero à honra dos altares como o primeiro santo e mártir de El Salvador.

Enquanto o processo de canonização segue em passos de tartaruga em Roma, para a indignação de muitos cristãos, o povo salvadorenho, da América Central e de todo Mundo já considera Romero um santo, mártir e profeta das Américas e do Mundo. Ao seu túmulo, sob a catedral de San Salvador, acorre diariamente muita gente peregrina agradecendo a ele graças recebidas e buscando forças e inspiração para seguir sendo discípulo dele na luta por justiça e paz.
Ao visitar o túmulo de Dom Oscar Romero, dia 16 de abril de 2009, fui tomado por uma emoção muito grande. De repente, chegou um senhor, aparentando uns 60 anos de idade, que de joelhos, rezava sem parar. Após uns 15 minutos de oração, quando ele se levantou, eu me aproximei dele e o cumprimentei dizendo que era brasileiro, discípulo de Romero. Perguntei, após saudá-lo, "o que significa Dom Oscar Romero para o senhor?" Luiz Alonso começou a dizer:
"Monsenhor Romero é um santo, um mártir, um profeta, já reconhecido por todo o povo salvadorenho e pelo mundo todo. Somente o Vaticano ainda não o reconheceu como santo. Venho diariamente ao túmulo de Monsenhor Romero rezar, agradecer e renovar inspiração para seguir a luta que ele enfrentou na defesa dos pobres perseguidos pela elite deste país. Monsenhor era um verdadeiro pastor. Em uma perna, dava acolhida a uma pessoa que estava chorando porque a Guarda Nacional tinha matado seu filho, na outra perna acolhia outra pessoa que desesperada procurava um parente desaparecido. Em suas homilias, Monsenhor era a voz dos sem voz. Ele teve a coragem de enfrentar o sistema de morte que imperava aqui no país. Com Romero, podemos dizer: Agora, podemos! Ele está vivo, ressuscitado no povo salvadorenho!".

(Texto de Frei Gilvander, carmelita, mestre em Exegese Bíblica, professor de Teologia Bíblica; assessor de CEBs, CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br

Abraços
Marcel S. Gutiá

22 de jul. de 2009

[Textos] A democracia ferida

Carta aberta aos jornalistas do Brasil

Leandro Fortes

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo.

O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e "aterradoras" revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.

Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.
Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico - de áudio nunca revelado - envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás.

Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos
públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro.

O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros.

Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes.

Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites.

Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: "Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta".

Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes? Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos.

As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes
Jornalista

Brasília, 19 de março de 2009
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Clique no link abaixo para conhecer as atividades empresariais de Gilmar Mendes:

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=2287
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titulo : Saia Gilmar!
cartola: corrupção

imagem:
http://brasil.indymedia.org/images/2009/05/446356.jpg


Nesta quarta-feira cinco mil velas foram acesas em frente ao Supremo Tribunal Federal, em Brasília, numa manifestação para que Gilmar Mendes, presidente da instituição, deixe seu cargo. Protestos simultâneos ocorreram em São Paulo e em Belo Horizonte.

Depois de provar sua corruptibilidade e parcialidade no caso do banqueiro Daniel Dantas, e por criminalizar e destratar movimentos sociais e populares, Gilmar Mendes atestou sua incapacidade de representar o poder judiciário brasileiro. E por isso, está demitido!

Uma profunda indignação e repulsa culminou na organização de diversas movimentações civis, entre elas a campanha 'Saia às Ruas', que conclama para que retomemos os espaços de deliberação política: "O povo já tirou o Collor e tirará Gilmar Mendes!". Mais manifestações ocorrerão nas próximas semanas. Participe em sua cidade!


blog:

http://saiagilmar.blogspot.com/

links externos:

Nos rincões dos Mendes:
http://www.blogdomino.com.br/blog/nos-rincoes-dos-mendes-178

O empresário Gilmar:
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=2287

Gilmar: às favas a ética:
http://www.blogdomino.com.br/blog/gilmar-as-favas-a-etica-171


links:
[bsb] Saia Gilmar!
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2009/05/446352.shtml

Mobilização dia 6 de Maio às 19hrs em frente ao STF!
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2009/05/446184.shtml

25 perguntas a Gilmar Mendes
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2009/05/446183.shtml

Ato contra Gilmar Mendes
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2009/05/446117.shtml

As verdades que o Ministro teve que ouvir.
http://prod.midiaindependente.org/pt/blue//2009/05/446071.shtml