6 de abr. de 2010

[Textos] Texto da Veja Sobre Sociologia no Ensino Médio

Educação

Ideologia na cartilha

Agora obrigatórias no ensino médio brasileiro,
as aulas de sociologia e filosofia abusam de conceitos
rasos e tom panfletário. Matemática que é bom...


Marcelo Bortoloti
Fotos 
À caça de bons mestres
O colégio paulistano São Domingos e o estadual Pedro Álvares Cabral
(no detalhe), no Rio: um desafio em comum

Os 8 milhões de estudantes brasileiros matriculados no ensino médio passaram a receber neste ano aulas de sociologia e filosofia - disciplinas que, por lei, se tornaram obrigatórias em escolas públicas e particulares. Com base nas diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação, cada estado fez o seu currículo, no qual a maioria dos colégios privados também se espelha em algum grau. A leitura atenta desse material traz à luz um festival de conceitos simplificados e de velhos chavões de esquerda que, os especialistas concordam, estão longe de se prestar ao essencial numa sala de aula: expandir o horizonte dos alunos. Não faltam exemplos de obscurantismo. Para se ter uma ideia, no Acre uma das metas do currículo de sociologia é ensinar os estudantes a produzir regimentos internos para sindicatos de trabalhadores - verdadeiro absurdo. Um dos explícitos objetivos das aulas em Goiás, por sua vez, é incrustar no aluno a ideia de que "a constante diminuição de cargos em empresas do mundo capitalista é um fator estrutural do sistema econômico" (visão pedestre que desconsidera o fato de que esse mesmo regime resultou em mais e melhores empregos no curso da história). Sem dar às questões a complexidade que elas merecem, as aulas abrangem de tudo: no Espírito Santo, por exemplo, a filosofia abarca da culinária capixaba aos ritmos indígenas. Conclui o sociólogo Simon Schwartzman: "Tratadas com superficialidade e viés ideológico, essas disciplinas só tendem a estreitar, no lugar de ampliar, a visão de mundo".
O viés presente nas aulas de sociologia e filosofia tem suas raízes fincadas nas faculdades de ciências sociais - de onde saíram, ou a que ainda pertencem, os professores responsáveis pela confecção dos atuais currículos. Desde a década de 70, quando se firmaram como trincheiras de combate à ditadura militar nas universidades, tais cursos se ancoram no ideário marxista, à revelia da própria implosão do comunismo no mundo - e estão cada vez mais distantes do rigor e da complexidade do pensamento do alemão Karl Marx (1818-1883). Diz a doutora em ciências sociais Eunice Durham, da Universidade de São Paulo: "Boa parte dessas faculdades propaga apenas panfletos pseudomarxistas repletos de clichês e generalizações, sem se dar sequer ao trabalho de consultar o original". Isso se reflete agora, e de forma acentuada, nos currículos escolares de sociologia e filosofia, criticados até mesmo por quem participou da feitura deles. À frente da equipe que compôs os do Rio de Janeiro, a educadora Teresa Pontual, subsecretária estadual de Educação, chega a reconhecer: "Se criássemos diretrizes distantes demais da realidade dos professores, eles simplesmente não as aplicariam na sala de aula - fomos apenas realistas".
Sob a influência francesa, a sociologia e a filosofia começaram a ganhar espaço no ensino médio brasileiro no fim do século XIX, até se tornarem obrigatórias, ainda que com pequenas interrupções, entre 1925 e 1971. Seu retorno definitivo ao currículo, sacramentado por uma lei aprovada no Congresso dois anos atrás para entrar em vigor justamente agora, era um pleito antigo dos sindicatos dos profissionais dessas áreas. Em 2001, projeto de lei com o mesmo propósito havia passado pelo Congresso, só que acabou vetado pelo então presidente (e sociólogo) Fernando Henrique Cardoso. À época, um parecer do MEC afirmava que os gastos para os estados seriam altos demais e que não havia no país professores em número suficiente para atender à nova demanda. Desta vez, o próprio ministro Fernando Haddad, filósofo de formação, empenhou-se para aprovar o texto. Daqui para a frente, de acordo com um levantamento do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, serão recrutados mais 20 000 professores no país inteiro. Trata-se de algo temerário, segundo alerta o sociólogo Bolívar Lamounier: "Não há tanta gente qualificada para desempenhar tal função no Brasil". A experiência recente das próprias escolas já sinaliza isso. "Está sendo duríssimo achar professores dessas áreas que sejam desprovidos da visão ideológica", conta Sílvio Barini, diretor do São Domingos, colégio particular de São Paulo.
Ao obrigar as escolas a ensinar sociologia e filosofia a todos os alunos, o Brasil se junta à maioria dos países da América Latina - e se distancia dos mais avançados em sala de aula, que oferecem essas disciplinas apenas como eletivas. Deixá-las de fora da grade fixa é uma decisão que se baseia no que a experiência já provou. Resume o economista Claudio de Moura Castro, articulista de VEJA e especialista em educação: "Os países mais desenvolvidos já entenderam há muito tempo que é absolutamente irreal esperar que todos os estudantes de ensino médio alcancem a complexidade mínima dos temas da sociologia ou da filosofia - ainda mais num país em que os alunos acumulam tantas deficiências básicas, como o Brasil". Em outros países da América Latina, esse tipo de iniciativa também costuma resvalar em aulas contaminadas pela ideologia de esquerda, preponderante nas escolas. Não será desse jeito que o Brasil dará o necessário passo rumo à excelência. 

por Paula Bezerra (DACS-UFPE)


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[SINTE] Professores voltam a paralisar atividades no Instituto Estadual de Educação em Florianópolis

Professores voltam a paralisar atividades no Instituto Estadual de Educação em Florianópolis

Categoria reclama do não-pagamento de folha complementar pela Secretaria de Educação

Atualizada às 10h56min
Pelo menos 40 professores do Instituto Estadual de Educação (IEE), em Florianópolis, paralisaram as atividades no início da manhã desta terça-feira em protesto contra o não-pagamento da folha complementar da categoria, pela Secretaria Estadual de Educação (SED), programada para a segunda-feira.

O pagamento extra foi acertado depois que um erro na folha de março fez com que parte dos professores recebessem menos da metade dos salários do período.

Na dia 25 de março, os professores suspenderam as aulas até que a SED acenou com o acordo, em que se comprometeu a corrigir o valor do salário retido por conta do problema na folha de março. Ficou acertado que o complemento salarial seria pago no dia 5 de abril — o que não ocorreu.

Segundo o diretor de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte), Danilo Ledra, a categoria deve montar uma comissão para discutir o impasse com representantes da SED nas próximas horas.

Os manifestantes querem que o governo se comprometa, por meio de documento oficial, a pagar o salário devido nos próximos dias.

SED alega que cumpriu acordo
A diretora de Desenvolvimento Humano da Secretaria de Estado da Educação, Elizete Mello, reclama que a versão do acordo divulgada à imprensa pelo Sinte é equivocada.

Segundo ela, ficou acertado com a categoria que os dados para o pagamento dos professores seriam encaminhados para a Secretaria de Administração na segunda-feira após a Páscoa.

— Fomos claros quando informamos que entregaríamos os dados no prazo combinado. Foi o que aconteceu e eles já sabiam que seria assim. Agora, depende das Secretarias de Administração e da Fazenda para a liberação do dinheiro — explica, ressaltando que este é o processo legal que precisa ser obedecido.

Elizete estima que a folha complementar seja liberada em até 72 horas, se aprovada a liberação orçamentária. Ela adianta que não está previsto nenhum encontro com os manifestantes.

Alunos são afetados

Pelo menos 1,5 mil alunos frequentam a escola durante a manhã. Segundo o diretor de Ensino Vendelin Borguezan, parte das turmas continuam a ter aulas nesta terça.

Equipes de plantão e professores que não participam do protesto ministram aulas para os alunos de 5ª a 8ª série. Estes, devem ser liberados somente no final da manhã.

Aproximadamente 600 estudantes do Ensino Médio estão sendo liberados, aos poucos, durante a manhã.

Entenda o caso
Um erro de cálculo no momento de gerar as folhas de pagamento de 69, dos 267 professores do instituto, reduziu parte do salário na folha de março.

Mesmo sendo só no dia 29 o data de pagamento, os professores optaram por parar os trabalhos no dia 25, até aparecer uma solução. Por causa da paralisação, 3,5 mil alunos ficaram sem aula.

O Sinte alegou que a medida foi tomada porque não houve uma proposta concreta para a solução do problema.
por vagner boni 

[MACS] GD/GT Ensino de Sociologia Currículo e material didático (UFF)


GD/GT Ensino de Sociologia
Currículo e material didático
31 de março de 2010
3º reunião


Partícipes presentes:
Rogério, Filosofia UERJ.
Lívia Benkendorf de Oliveira.
Maria Clara A. C. Fernandes.
Jefferson Almeida Silva.

Após uma análise mais cuidadosa das Matrizes Curriculares para o ENEM e a proposta de avaliação para o vestibular na UERJ, percebemos a existência de eixos sociológicos perpassados pela História e Geografia, com foco nos grupos sociais, como nos conteúdos que trabalham dependência e subdesenvolvimento e industrialização e capitalismo, como causadores da informalidade, marginalidade e exclusão social. Portanto está clara a abordagem ainda crítica e não acomodativa das avaliações para o ingresso no ensino superior que vem determinando o currículo a ser ensinado nas escolas de Educação Básica. Estas propostas, na contra mão do que determina a LDB e os PCN’s, têm um caráter político de esquerda, e é importante esta observação para que percebamos o caráter dialético e não mecanicista da reprodução das políticas públicas, que de cima para baixo têm um caráter de defesa do capital, e portanto, trata a educação como redentora da sociedade brasileira para melhorar sua condição na disputa do mercado internacional, mas no cotidiano escolar ainda encontramos propostas e práticas de resistência a esta perspectiva apaziguadora dos conflitos sociais inerentes à sociedade capitalista.

O grupo tem como princípio norteador de suas discussões, produções e práticas um caráter CRÍTICO e CIENTÍFICO. Colocamos como tarefa o estabelecimento de bibliografias consistentes para as divisões ou tópicos dos conteúdos sociológicos. Uma das preocupações do grupo é dar sentido lógico ao currículo de Sociologia, para isto será preciso definir a eleição e o descarte de alguns conteúdos e definir qual será a ordem dos mesmos, principalmente agora, no momento que já podemos dividi-lo entre os três anos do Ensino Médio.

É com muito prazer que convidamos os colegas mais uma vez a participar da próxima reunião que se realizará dia 07 DE ABRIL DE 2010, QUARTA FEIRA, SALA DO D.A. DE CIÊNCIAS SOCIAIS NA UFF, ÀS 18:00.

Tragam suas idéias, dúvidas e materiais!